Crítica: “The True Cost”

the true costThe True Cost é um documentário que fala sobre a cultura do Fast Fashion (a moda rápida, das roupas praticamente descartáveis) e seus impactos no mundo. Dirigido por Andrew Morgan, ele explora a luta de ativistas e trabalhadores do setor por melhores condições de trabalho, assim como o impacto na agricultura, que também faz parte da cadeira produtiva de roupas. Ele viaja pelos países e mostra as condições precárias de trabalho nas fábricas – principalmente em Bangladesh – e o problema da produção de algodão, que polui o meio-ambiente com a quantidade imensa de agrotóxicos jogados nas plantações e causa inúmeras doenças nas pessoas que manipulam essas substâncias.

É um filme que nos faz pensar sobre o que consumimos e até aonde esse consumismo desenfreado irá levar o mundo. Uma cena muito forte pra mim foi quando foi mostrada a cobertura dos jornais americanos da Black Friday, a sexta-feira de promoções antes do Dia de Ação de Graças, onde as pessoas entravam loucamente e aos bandos nas lojas como se não houvesse amanhã e todas as roupas do mundo fossem acabar. Me lembrou da inauguração da Forever 21 no Village Mall no Rio, cuja fila se estendeu até o lado de fora do shopping e as pessoas levaram cerca de 4 horas pra conseguir comprar alguma coisa. Pra que isso? 

Fiquei arrasada quando terminei de assistir o doc, é um choque de realidade muito grande pra mim e pra muitas pessoas. Como pode existir gente tão insensível nesse mundo? Como os donos das grandes marcas de fast fashion conseguem deitar a cabeça no travesseiro à noite e dormir? Isso não entra na minha cabeça.

Em compensação fiquei aliviada de saber que existem pessoas que lutam pelos direitos dos trabalhadores das fábricas e por uma produção de moda mais justa, como por exemplo a campanha #WhoMadeMyClothes (#QuemFezMinhasRoupas) criada pelo movimento Fashion Revolution.

Acho que todo mundo deveria assistir The True Cost (tem no Netflix!) pra repensar seus próprios atos, não só na questão do consumo de bens como também em relação às outras pessoas. E fica a pergunta pra vocês:

 De que adianta comprar uma roupa que você irá usar uma vez e depois descartar?